quinta-feira, 16 de agosto de 2018

POMBOS URBANOS E A SAÚDE PÚBLICA




Associado ao símbolo da paz, da religião e do amor, o pombo comum também pode ser considerado uma praga. Em áreas urbanas, quando existe uma grande concentração dessas aves em determinado espaço, podem ocorrer danos à saúde e ao ambiente. Segundo a veterinária Dóris Bercht Brack, da Divisão de Vigilância Ambiental em Saúde do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), enfermidades como Salmonelose (doença infecciosa aguda), Criptococose e Histoplasmose (micoses profundas) podem ser transmitidas por estas aves, de aparência mansa. 

Em relação à Toxoplasmose, Dóris explica que o pombo faz parte do ciclo da doença, sendo uma possível fonte de contaminação para os gatos quando caçam pombos e comem a carne crua. É pouco provável que alguém adquira a toxaplasmose do pombo, pois não existe o hábito de comer este tipo de carne, apesar desta ave ter sido introduzida no Brasil, no século XVI, para servir de alimento. “Se o consumo ocorrer, em criações domésticas, é indicado o cozimento demorado, como para qualquer tipo de carne”, alerta a veterinária do Cevs, entidade vinculada à Secretaria Estadual da Saúde. Em geral, estas aves se encontram em grande número nos centros urbanos, onde se adaptaram muito bem, devido a vários fatores, como a facilidade de encontrar alimento e abrigo. 

Os pombos têm preferência por grãos e sementes mas como não tem um paladar muito exigente, comem também restos de refeição, pão e até lixo. Neste ponto está baseada a principal orientação à população das cidades, dentro dos métodos de controle educativos: evitar alimentar os pombos. Tal hábito acarreta aumento exagerado do número de aves, com maior risco de transmissão de doenças e danos ambientais. Outra recomendação, ensina Dóris, é recolher sobras de alimentos de animais domésticos, de gaiolas e criações, para não atrair pombos ou ratos e baratas, bem como manter o lixo acondicionado em sacos plásticos bem fechados. Essas medidas favorecem o controle do número de pombos já que a diminuição de alimentos acarreta um menor número de ovos e filhotes. Dentro dos métodos de controle, estão também as barreiras físicas (utilização de telas e fechamento de aberturas) e os repelentes (produtos aplicados sobre telhados para afastar as aves do local).

https://estado.rs.gov.br/secretaria-alerta-pombos-urbanos-sao-risco-para-a-saude-publica

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

POR QUE O "CHEIRO" DA CHUVA É TÃO BOM?


Há algo químico na fragrância agradável que sentimos de ar limpo e terra molhada, após a chuva (Foto: stevepb/Creative Commons)


Não é só alívio, após um longo período de seca, que faz com que o cheiro da chuva seja tão bom. Há também a química envolvida.
Bactérias, plantas e até trovoadas têm influência no aroma de ar limpo e terra molhada que a gente sente após uma tempestade.
Conhecido como "petrichor", esse odor tem sido estudado por cientistas e até por fabricantes de perfume.

Terra Molhada

O nome "petrichor" foi cunhado por dois pesquisadores australianos em 1960. A palavra vem do grego "petros", que significa "pedra", e do termo "ichor", que quer dizer "o fluido que passa pelas veias dos deuses".
Essa fragrância que a gente sente quanto a chuva bate no solo é produzida por uma bactéria.

"Micróbios são abundantes no solo", explica o professor Mark Buttner, diretor do departamento de microbiologia do John Innes Centre, na Inglaterra.
"Quando você diz que sente cheiro de terra molhada, na verdade está sentindo o cheiro de uma molécula sendo criada por um certo tipo de bactéria", disse ele à BBC News.
Essa molécula é o "geosmin", produzido pela bactéria Streptomyces. Presente na maioria dos solos saudáveis, essa bactéria também é usada para produzir alguns tipos de antibióticos.

Quando as gotas de água caem na terra, fazem com que o geosmin seja lançado no ar, tornando-o bem mais abundante do que antes da chuva.
"Vários animais são sensíveis a esse cheiro, mas os seres humanos são extremamente sensíveis a ele", diz Buttner.

Os pesquisadores Isabem Bear e RG Thomas, que deram o nome de "petrichor" ao cheiro da chuva, descobriram que na década de 1960 ele já era "capturado" para ser vendido como uma essência chamada "matti ka attar", em Uttar Pradesh, na Índia.

Agora, o geosmin está se tornando mais comum como ingrediente de perfume.
"É uma substância potente. Há algo de bem primitivo nesse cheiro", afirma a perfumista Marina Barcenilla.

"Mesmo quando você o dilui, ainda é possível identificá-lo", acrescenta.

Mas nós temos uma relação contraditória com o geosmin - ao mesmo tempo em que somos atraídos pelo aroma dele, muitos de nós tem aversão pelo gosto.

Embora não seja tóxico para seres humanos, pequenas quantidades podem fazer com que rejeitemos um copo de água ou de vinho que tenha sido "contaminado" pela substância.

"Não sabemos por que não gostamos de geosmin. Por algum motivo, associamos a algo ruim", diz o professor Jeppe Lund Nielson, da Universidade de Aalborg, na Dinamarca.

Plantas

Chuva pode liberar cheiros ao quebrar e danificar as folhas das plantas (Foto: ddouk/Creative Commons)De acordo com Nielson, pesquisas sugerem que o geosmin pode estar relacionado ao "terpeno"- fonte do perfume de várias plantas.

E a chuva pode acentuar essas fragrâncias, diz o professor Philip Stevenson, pesquisador-chefe do Royal Botanic Gardens, em Londres.

"Normalmente, as químicas das plantas que têm cheiro bom são produzidas pelos 'cabelos' das folhas. As chuvas podem danificar as folhas e, com isso, soltar os componentes dela", explica.

"A chuva também pode romper materiais secos das plantas, liberando substâncias químicas de forma similar a quando quebramos e esmagamos ervas. Com isso, o cheiro fica mais forte."

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2018/08/12/por-que-o-cheiro-da-chuva-e-tao-bom.ghtml

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

QUANDO OS FILHOS VOLTAM A MORAR COM OS PAIS

Quando filhos adultos voltam a morar com os pais: visões de mundo que podem ser conflitantes (Foto: Rodrigo Kuwano: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=3169803)


Já escrevi sobre o delicado momento em que nos deparamos com a necessidade de acolher pai, mãe, ou ambos, em casa, uma decisão que deve ser acompanhada de muito planejamento. No entanto, o inverso está se tornando relativamente comum, como resultado da crise econômico-financeira do país e da falta de perspectivas para adultos jovens (ou nem tanto) que constituíram família e se veem, de uma hora para a outra, sem emprego e com filhos pequenos ou adolescentes. Esse blog se aventurou inclusive num manual de etiqueta para lidar com filhos crescidos, mas a coisa muda de figura e ganha outra escala quando estão todos debaixo do mesmo teto.

Para começar, há a questão sensível da dependência econômica: seu filho ou filha teve que andar algumas casas para trás para tentar se aprumar de novo. A relação entre vocês também mudou, porque estamos falando de adultos com visões de mundo que podem ser até conflitantes. Mais: prepare-se para conviver de perto com a forma como seus netos estão sendo criados – e você pode não concordar com boa parte das ideias que são postas em prática. Por isso, não perca de vista um mantra: evite discussões. Respire fundo, conte até dez ou cem, e espere um momento mais tranquilo para expor seus pontos de vista.

Mesmo que pareça um pouco duro, tente estabelecer um prazo para esse arranjo, de forma que ele não perca o caráter provisório. Pode ser o tempo para arranjar outro emprego, pagar dívidas, conseguir um lugar menor para morar, enfim, ter um objetivo vai ajudar a alimentar o foco e recuperar a autoestima. Se a situação não for totalmente precária por parte dos novos moradores, eles devem contribuir em alguma medida com as despesas da casa: pagando as contas de luz e gás, por exemplo.

É fundamental zelar pela manutenção de um mínimo de privacidade. Seu quarto deve ser um território ao qual só se tem acesso mediante convite. Do contrário, corre-se o risco de encontrar os netos esparramados na cama vendo TV ou jogando videogame. A responsabilidade pela arrumação e limpeza tem que ser compartilhada, para ninguém achar que está num hotel e pode deixar pratos sujos empilhados na pia ou roupas no chão.

A convivência com os netos pode ser uma enorme fonte de prazer. Leia com os menores, ensine aos maiores jogos divertidos que já não estão na moda e abra um canal de comunicação com os adolescentes para eles expressarem seus medos e ansiedades. No entanto, estabeleça limites para não se transformar em babá em tempo integral, ainda mais se tiver limitações de saúde. Importante deixar claro que não é sua obrigação buscar as crianças na escola, ou supervisionar os deveres de casa. E em hipótese alguma sucumba à tentação de tentar ser pai ou mãe de seus netos, o que inclui evitar comentários ou querer derrubar as regras que estão em vigor.

https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2018/08/12/quando-os-filhos-voltam-a-morar-com-os-pais.ghtml

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